Negócios de impacto social atraem executivos insatisfeitos com carreira
Tais LaportaDo G1, em São Paulo
Empreender é uma ferramenta de mudança social, não apenas um meio para ganhar dinheiro. Foi essa a mensagem que fundadores de startups brasileiras transmitiram aos jovens que buscam abrir um negócio, durante o Menos 30 Fest, evento organizado pela plataforma de relacionamento da Globo com o público jovem, neste sábado (5), em São Paulo.
O criador da plataforma de buscas de empregos 99jobs, Eduardo Migliano, deixou o emprego em um banco para criar a ferramenta que hoje fatura mais de R$ 1 milhão, com a ambição de “ajudar pessoas a mudar o mundo fazendo o que amam”. Ganhar dinheiro, apenas, havia perdido o sentido para ele. O trabalho de Migliano precisava fazer “alguma diferença”.
“O que me deu um clique [para mudar] foi entender que eu podia fazer um pouquinho mais do que a sociedade já estava entregando para o mundo. Eu podia construir uma causa no dia a dia para que as pessoas pudessem viver melhor a sua missão e sua causa”, conta.
Negócios de impacto social
Felipe Alves, coordenador de produção da Artemisia, também abandonou o emprego na área de finanças e indústria automotiva para trabalhar com negócios de impacto social na startup. Em crise, ele percebeu que sua carreira não trazia mais satisfação e arriscou em um ramo que ousa fazer dinheiro e ao mesmo tempo transformar problemas sociais.
“Entre ganhar dinheiro e mudar o mundo, fique com os dois”, sugeriu Alves aos participantes do Menos 30 Fest, atentos aos seus conselhos. “Passamos por uma crise, mas preferimos ver o copo mais cheio do que vazio e criar soluções inovadoras para pessoas que sofrem falta de acesso”, diz Alves sobre negócios voltados para a chamada “base da pirâmide” – as classes de renda mais baixa.
Na área de impacto social, Alves enumera um boom de negócios em educação, que segundo ele estão ficando até saturados, apesar das boas oportunidades, com ideias competindo entre si. As áreas de serviços financeiros e saúde também têm espaço para ideias promissoras, conta.
Mas não basta que a ideia seja boa, adverte o coordenador da Artemisia. ”Precisa ser ‘menos papel’ e mais ‘sola de sapato’. De nada vale se não tiver ação”, diz. Mesmo que a ideia de negócio receba críticas ou pareça ruim a princípio, ele incentiva o jovem a não desistir e aprimorar o projeto até ele amadurecer.
O Menos 30 Fest reuniu empreendedores e executivos ligados a projetos inovadores para discutir os principais desafios para o jovem interessado em abrir seu próprio negócio ou desenvolver uma ideia na empresa onde trabalha, como economia criativa, big data, empreendedorismo feminino e design thinking.






